Os Cinco Estágios da Dor da Morte
A médica suíça, Dra. Elisabeth Kubler-Ross, após
acompanhar vários pacientes com doença terminal descreveu, em 1962, no seu
livro On Death and Dying, (na morte e no morrer) cinco estágios ou fases
emocionais que as pessoas passam, ao
descobrirem-se com uma doença, que inexoravelmente os levara a morte.
Este complexo emocional ficou conhecido como Modelo
Kubler-Ross para o luto. Estes estágios acontecem sempre que alguém passa por
um momento de grande estresse emocional, seja desemprego, falência, perspectiva
de prisão, divorcio, morte de um familiar ou no caso de ter que enfrentar a
própria morte, em uma doença terminal como, por exemplo, o câncer.
Sempre que alguém tem uma grande perda emocional,
qualquer que seja, passará por estes estágios, senão todos, pelo menos pela
maioria dos seguintes sentimentos: Negação, Raiva, Barganha, Depressão e
Aceitação.
Negação: Ao receber o primeiro impacto de uma
noticia muito ruim a reação inicial é a negação. Negação e isolamento. Nós
simplesmente não acreditamos que tal fato é verdadeiro. A frase “difícil de
acreditar” define bem este estado d’alma. A intensidade desta fase é variável.
Nunca muito curta, podendo ir de algumas semanas a meses, na dependência de
como a própria pessoa e os que estão ao seu redor conseguem manejar a situação
difícil. A negação de uma doença, um câncer, por exemplo, pode atrasar o
tratamento até o ponto sem retorno, para além do qual nenhum tratamento será
eficaz.
Raiva: A medida que a realidade impõem a sua crueza
dolorosa, não é mais possível segurar a negação. Os fatos superam a capacidade
da mente negar sua existência. A raiva, então, vai surgindo nos rastros da
retirada de negação. Junto com a raiva surgem também a inveja, a revolta, e o
ressentimento. Inveja daqueles que tem saúde e juventude, inveja dos que estão
“de bem” com a vida. Pensamentos do tipo: porque eu, se existem tantas pessoas
ruins neste mundo? Os relacionamentos tornam-se problemáticos e todo o ambiente
é afetado pela hostilidade daquele que vai morrer.
Barganha: Tendo ultrapassado a negação, pela
impossibilidade de manter este estado mental e, percebendo que a raiva não
resolveu a sua situação, o indivíduo passa a realizar negociações mentais, em
geral mantidas em segredo e, na maioria das vezes, a barganha é com deus. Como
dificilmente alguém tem algo a oferecer a deus em troca do beneficio
solicitado, queira-se ou não, a barganha assume características de súplicas. A
pessoa implora que deus aceite sua oferta em troca de uma vida dedicada a
igreja, a caridade, etc. No fundo a barganha é uma tentativa de adiamento do
inevitável. Nesta etapa o paciente mantém-se sereno, reflexivo e dócil. Não se
pode barganhar com deus ao mesmo tempo hostilizar as pessoas ao seu redor.
Depressão: A depressão surge quando o indivíduo
toma consciência da sua condição. Quando já não mais consegue negar sua
impotência frente á realidade. Seja qualquer uma delas: doença incurável, morte
de um familiar, ou falência. Evidentemente, trata-se de uma atitude evolutiva.
Nada funcionou: a negação foi atropelada pela realidade, a raiva pouco
adiantou, a barganha não surgiu efeito. Um sentimento de grande perda invade a
alma. É o sofrimento e a dor psíquica de quem percebe sua realidade nua e crua.
A vida como ela é. Sem mascaras ou mentiras piedosas. É a consciência plena de
que nascemos e morremos sozinhos. Aqui a depressão assume um quadro clínico
mais típico e característico; desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro,
etc.
Aceitação: Nesse estágio o indivíduo já não
experimenta o desespero e nem nega sua realidade. Esse é um momento de repouso
e serenidade antes da longa viagem. É claro que interessa, à medicina, melhorar
a qualidade da morte e da dor da perda, (como sempre tentou fazer em relação à
qualidade da vida). Deseja-se que o paciente alcance esse estágio de aceitação
em paz, com dignidade e bem estar emocional. Assim ocorrendo, o processo do
dor, do luto ou até a morte, se for o caso, poderá ser experimentado em clima
de serenidade por parte do indivíduo e, pelo lado dos que ficam, de conforto,
compreensão e colaboração para com o paciente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário